Federação jordaniana acusa Infantino de chantagem
O príncipe Ali bin Al-Hussein, presidente da Associação de Futebol da Jordânia, acusou o presidente da Fifa, Gianni Infantino, de recorrer à chantagem. Em mensagem no X, ele criticou a liderança e citou problemas de visto e bônus não pagos. A oposição cresce antes da eleição de m
Presidente da federação jordaniana acusa Infantino de chantagem
O príncipe Ali bin Al-Hussein, presidente da Associação de Futebol da Jordânia, juntou-se aos críticos do presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao acusá-lo de recorrer à "chantagem" em meio à crescente oposição à sua gestão. A acusação foi publicada em mensagem no X, onde o dirigente jordaniano, ex-vice-presidente da Fifa e adversário de Infantino nas eleições de 2016, questionou a conduta do dirigente ítalo-suíço à frente da entidade que rege o futebol mundial.
O que é a acusação de chantagem contra Infantino
Em síntese, o príncipe Ali afirma que a Fifa, sob a liderança de Infantino, condicionou apoio institucional à federação jordaniana a um alinhamento político. Na publicação, ele relata que, durante meses, a Fifa se negou a ajudar a federação com questões diversas. A situação mudou apenas durante a Copa do Mundo, quando, segundo ele, foi informado verbalmente de que apoiar Infantino "ajudaria muito" a federação.
"Está claro que o verdadeiro problema vem da liderança", escreveu o príncipe. Ele complementa: "Na Jordânia, temos orgulho de defender valores éticos. Não o apoiamos antes e certamente não o faremos agora. Toda essa situação se assemelha a uma chantagem, e nos recusamos a ceder".
Os problemas citados pelo príncipe Ali
Além da suposta chantagem, o príncipe, que é meio-irmão do rei da Jordânia, apontou três problemas concretos enfrentados por sua federação:
- Problemas de visto para torcedores que pretendiam viajar aos Estados Unidos para a Copa do Mundo.
- Taxas impostas pelo governo americano.
- Não pagamento de bônus aos jogadores durante a Copa Árabe organizada pela Fifa em dezembro de 2025, no Catar.
Nenhum desses pontos foi respondido publicamente pela Fifa até o momento da publicação da fonte. A ausência de resposta, por si, não confirma nem refuta as alegações, mas mantém a controvérsia em aberto.
O contexto da oposição a Infantino
O caso não é isolado. As críticas do presidente da federação jordaniana se somam a vozes em número cada vez maior de figuras do futebol que estão se distanciando de Infantino. O pano de fundo é um projeto, já revogado, para abrir a Copa do Mundo e outras competições da Fifa a investidores privados. Infantino foi o principal defensor dessa iniciativa, que gerou forte resistência entre federações e entidades.
Além disso, o dirigente tentará se reeleger em março do ano que vem. A soma de críticas públicas, vindas de um ex-adversário eleitoral, ganha relevância nesse cenário. A pergunta que se coloca é se essa pressão terá efeito prático na disputa interna.
Análise: o que está em jogo na eleição da Fifa
Do ponto de vista do direito desportivo, a acusação de chantagem, se comprovada, configuraria violação grave dos princípios de governança que a própria Fifa se compromete a observar. A entidade adota códigos de ética que vedam condutas que possam influenciar indevidamente decisões de federações membros. A troca de apoio político por benefícios institucionais, se confirmada, atingiria o cerne da integridade eleitoral.
É preciso, contudo, distinguir a alegação da prova. No direito desportivo, o standard de prova para infrações éticas costuma ser o "balanço de probabilidades", menos rigoroso que o "além de qualquer dúvida razoável" do direito penal. Mas mesmo esse padrão exige elementos objetivos, como documentos, testemunhas ou registros. Até aqui, temos apenas o relato público do príncipe Ali.
A gravidade da acusação, no entanto, não depende apenas da prova. O impacto reputacional é imediato. Infantino, que já enfrenta oposição crescente, vê sua gestão questionada em um ponto sensível: a imparcialidade no trato com as federações.
Como a Fifa costuma responder a acusações desse tipo
Historicamente, a Fifa tende a responder a acusações de dirigentes com comunicados oficiais ou com a abertura de processos internos, quando há indícios mínimos. No caso presente, até a publicação da fonte, não havia manifestação pública da entidade. O silêncio pode indicar estratégia jurídica, mas também alimenta a percepção de falta de transparência.
Para federações menores, como a jordaniana, o custo de um confronto público com a cúpula da Fifa é alto. O príncipe Ali, porém, tem capital político próprio: foi vice-presidente da entidade e disputou a presidência em 2016. Sua posição não é a de um dirigente isolado, mas de um ator com histórico de oposição.
O que esperar dos próximos meses
A eleição está marcada para março do ano que vem. Até lá, é provável que novas manifestações surjam, tanto de apoio quanto de crítica a Infantino. O caso jordaniano pode servir de catalisador para que outras federações se manifestem, especialmente aquelas que se sentiram prejudicadas por decisões recentes da Fifa.
No plano jurídico, a acusação de chantagem, se formalizada, poderia chegar ao comitê de ética da entidade. A análise, nesse caso, avaliaria se houve violação do código de conduta. A punição, se aplicável, variaria de advertência a suspensão, dependendo da gravidade e das provas.
Perguntas Frequentes
O que o príncipe Ali acusou Infantino de fazer?
O príncipe Ali bin Al-Hussein, presidente da Associação de Futebol da Jordânia, acusou o presidente da Fifa, Gianni Infantino, de recorrer à chantagem. Ele afirma que a Fifa condicionou ajuda à federação a um apoio político a Infantino.
Quais problemas o príncipe Ali citou além da chantagem?
Ele citou problemas de visto para torcedores que viajariam aos Estados Unidos para a Copa do Mundo, taxas impostas pelo governo americano e o não pagamento de bônus aos jogadores durante a Copa Árabe de dezembro de 2025, no Catar.
Quando será a próxima eleição para a presidência da Fifa?
A eleição está prevista para março do ano que vem, quando Infantino tentará se reeleger.
O que é o projeto revogado de abrir a Copa do Mundo a investidores?
Foi um projeto defendido por Infantino para permitir que investidores privados participassem da organização da Copa do Mundo e outras competições da Fifa. O projeto foi revogado após forte oposição.
Qual a posição do príncipe Ali na estrutura da Fifa?
Ele é ex-vice-presidente da Fifa e foi adversário de Infantino nas eleições de 2016. Atualmente, preside a Associação de Futebol da Jordânia.
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