Futebol

Fifa: dirigentes aumentam pressão sobre Infantino e isolam presidente

ResumoFifa enfrenta crescente isolamento de Gianni Infantino, com dirigentes como Arsène Wenger e Mattias Grafstrom se distanciando do presidente após o fracasso do projeto FFE. A Uefa planeja ação judicial e federações retiram apoio, enquanto Infantino permanece único candidato à reeleição em 2025. A pressão interna e externa amplia a crise de governança na entidade máxima do futebol.

Dirigentes da Fifa, incluindo Arsène Wenger e Mattias Grafstrom, se distanciam de Gianni Infantino após o fracasso do projeto FFE. A pressão interna e externa cresce, com a Uefa planejando ação judicial e federações retirando apoio ao presidente, único candidato à reeleição em 20

Dr. Faustino Aragão Belluci
por Dr. Faustino Aragão Belluci · 04 de agosto de 2026
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Dirigentes da Fifa aumentam pressão sobre Infantino e isolam presidente após fracasso do projeto FFE

A crise na Fifa ganhou novos contornos nesta semana. Vários dirigentes da entidade máxima do futebol, incluindo o respeitado técnico Arsène Wenger e o secretário-geral Mattias Grafstrom, se distanciaram do presidente Gianni Infantino e do polêmico projeto malsucedido de abertura da entidade a investidores privados. A reeleição do ítalo-suíço, prevista para março de 2027, segue em aberto, com pressão interna e externa crescendo.

O que está em jogo: a pressão sobre Infantino e o futuro da Fifa

A pressão sobre Infantino não é um fato isolado. Ela reflete um desconforto profundo com a condução da entidade e com a tentativa de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma empresa que receberia investimento privado. O projeto, anunciado há uma semana, gerou uma onda de críticas e foi rejeitado por três confederações, obrigando o presidente a recuar de forma definitiva no sábado. A decisão de abandonar o plano, no entanto, não encerrou a crise. Pelo contrário, ampliou o racha interno e expôs a fragilidade da liderança de Infantino.

Wenger se distancia e defende Fifa independente

Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento do futebol mundial desde 2019, foi um dos primeiros a se manifestar publicamente. Em comunicado nesta terça-feira (4), ele declarou: "A decisão de retirar o projeto era absolutamente necessária e incontestável". O ex-treinador do Arsenal referia-se à proposta de criar a FFE, com a qual Infantino esperava arrecadar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,3 bilhões, na cotação atual) com a venda de 20% das ações a investidores privados, e uma avaliação da FFE em US$ 20 bilhões (R$ 101,4 bilhões).

Wenger foi além. "Acredito firmemente em uma Fifa independente que serve ao nosso jogo com compromisso, transparência e integridade", acrescentou, explicando não ter tido envolvimento no projeto, do qual tomou conhecimento "por meio da imprensa". A fala de Wenger, uma das vozes mais respeitadas do futebol mundial, tem peso simbólico. Ela sinaliza que mesmo os quadros técnicos mais próximos da entidade não compactuam com a estratégia de Infantino.

Grafstrom critica "triste e repreensível série de eventos"

O dirigente francês não é o único na Fifa a se distanciar do plano e de Infantino. Em um e-mail interno enviado a funcionários da entidade, ao qual a AFP teve acesso, o secretário-geral Mattias Grafstrom lamentou uma "triste e repreensível série de eventos", que "felizmente terminou com o abandono permanente" do projeto. "Indivíduos, momentos instáveis e episódios infelizes vêm e vão. A instituição, sua missão e sua responsabilidade com o futebol mundial continuam", concluiu o suíço de 45 anos, secretário-geral da Fifa desde 2024.

A manifestação de Grafstrom é significativa. Ocupante de um dos cargos mais altos da entidade, ele não apenas criticou o episódio, mas também defendeu a permanência da instituição acima das pessoas. Essa postura, embora não cite Infantino nominalmente, é uma clara demarcação de distância em relação ao presidente.

Carlos Cordeiro renuncia e amplia o racha interno

Na sexta-feira, o americano Carlos Cordeiro, principal assessor de Infantino, renunciou ao cargo. Em sua carta de demissão, ele afirmou sua oposição "categórica" ao projeto, que considerava "ruim para o futuro de longo prazo" do futebol. A renúncia de Cordeiro, um dos homens de confiança do presidente, é um golpe duro. Ela mostra que até mesmo os aliados mais próximos de Infantino não estavam dispostos a defender a FFE.

Pressão externa: Uefa e Concacaf cobram mudanças

A oposição dentro da entidade soma-se à já forte pressão externa, liderada pela Uefa e apoiada pela Concacaf, a Confederação da América do Norte, Central e Caribe. Na semana passada, a Concacaf pediu uma "revisão completa" da liderança de Infantino, enquanto a Uefa afirmou ter "perdido a confiança" no presidente.

A Uefa, no entanto, não se limitou a palavras. Em uma carta enviada à Fifa na sexta-feira, consultada pela AFP, a União das Associações Europeias de Futebol "notifica oficialmente que planeja de forma ativa iniciar uma ação judicial". Com esse objetivo, a entidade europeia pediu para "identificar, localizar e preservar todos os documentos e informações armazenadas eletronicamente" sobre a FFE, para evitar que sejam destruídos elementos que prejudiquem um processo judicial.

A ação da Uefa é um movimento jurídico sério. Ela não apenas sinaliza a disposição de processar a Fifa, mas também busca garantir provas. A preservação de documentos é um passo técnico fundamental em qualquer litígio, e a Uefa demonstra que está disposta a ir até o fim.

Copa do Mundo de Clubes 2029 ameaçada

O descontentamento também aumentou em relação à Copa do Mundo de Clubes, realizada pela primeira vez em 2025 com 32 equipes, um desejo de Infantino. A próxima edição, prevista para 2029, pode estar ameaçada, visto que ainda não há qualquer acordo entre a Fifa e os clubes participantes, afirmou um dirigente à AFP. Este mesmo responsável indicou que o sentimento europeu é de que é necessário "uma mudança estrutural" na governança da entidade que rege o futebol mundial.

A ameaça à Copa do Mundo de Clubes é um ponto sensível. O torneio, criado por Infantino, é um de seus principais legados. Se a edição de 2029 não se concretizar, o presidente ficará ainda mais enfraquecido.

Infantino segue como único candidato, mas apoio diminui

Apesar das pressões, Infantino é o único candidato à presidência da Fifa nas eleições previstas para março de 2027. Ele precisará do apoio de 106 das 211 federações-membro da entidade para um novo e último mandato de quatro anos. Até agora, quatro federações, todas europeias (Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia), retiraram seu apoio a ele.

A situação de Infantino é paradoxal. Ele é o único candidato, o que teoricamente garante sua reeleição. No entanto, a perda de apoio de federações europeias, ainda que em número pequeno, é um sinal de erosão de sua base. A exigência de 106 votos é um obstáculo real, e a pressão crescente pode levar outras federações a seguirem o mesmo caminho.

Análise: a integridade da Fifa em questão

Do ponto de vista do direito desportivo, o caso FFE é um exemplo clássico de violação dos princípios de governança. A tentativa de abrir a entidade a investidores privados, sem consulta adequada às federações-membro, fere a transparência e a independência que devem reger a administração do futebol mundial. A reação de Wenger, Grafstrom, Cordeiro, Uefa e Concacaf demonstra que a integridade não é um detalhe, é o jogo.

A competição só existe se a regra valer para todos. Quando um presidente tenta impor um projeto controverso, ignorando a base, ele compromete a legitimidade de toda a instituição. O abandono do projeto FFE foi uma vitória da governança, mas a crise está longe de terminar. A ação judicial da Uefa, a ameaça à Copa do Mundo de Clubes e a perda de apoio de federações europeias são sinais de que a pressão sobre Infantino deve continuar.

O que esperar dos próximos meses

A eleição de 2027 está a menos de dois anos. Infantino, embora único candidato, enfrenta um cenário de isolamento crescente. A Uefa promete ação judicial, a Concacaf pede revisão da liderança, e quatro federações europeias já retiraram seu apoio. A pergunta que fica é: até quando Infantino conseguirá manter a coesão mínima necessária para governar?

Para os dirigentes, atletas e estudantes de direito desportivo, o caso é um estudo de caso sobre os limites do poder e a importância da governança. A Fifa, como entidade máxima do futebol, precisa demonstrar que está acima de interesses pessoais. O futuro da entidade, e do próprio futebol, depende disso.

Perguntas Frequentes

Por que Arsène Wenger se distanciou de Infantino?

Wenger declarou que a decisão de retirar o projeto FFE era "absolutamente necessária e incontestável" e afirmou acreditar em uma Fifa independente, com compromisso, transparência e integridade. Ele também disse não ter tido envolvimento no projeto, do qual tomou conhecimento por meio da imprensa.

O que é a Fifa Forward Enterprise (FFE)?

A FFE era uma proposta de empresa da Fifa que receberia investimento privado. O projeto previa a venda de 20% das ações a investidores, com arrecadação estimada de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,3 bilhões) e avaliação de US$ 20 bilhões (R$ 101,4 bilhões). O plano foi rejeitado por três confederações e abandonado.

Quais federações retiraram apoio a Infantino?

Quatro federações, todas europeias, retiraram seu apoio a Infantino: Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia.

A Copa do Mundo de Clubes de 2029 está ameaçada?

Sim. Segundo um dirigente ouvido pela AFP, ainda não há acordo entre a Fifa e os clubes participantes, e a edição de 2029 pode estar ameaçada. O sentimento europeu é de que é necessária uma "mudança estrutural" na governança da entidade.

Qual o papel da Uefa na pressão contra Infantino?

A Uefa afirmou ter "perdido a confiança" no presidente e notificou oficialmente que planeja iniciar uma ação judicial. A entidade pediu a preservação de documentos e informações sobre a FFE para evitar a destruição de provas.

governança no futebol: como funciona o direito desportivo Copa do Mundo de Clubes: o que esperar da edição 2029 transparência na Fifa: os desafios da gestão Infantino

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