Árbitro somali excluído da Copa vai apitar final da Supercopa
Após ter a entrada nos Estados Unidos negada em junho, o árbitro somali Omar Artan foi convidado pela Uefa para apitar a final da Supercopa entre Paris Saint-Germain e Aston Villa, nesta quarta-feira (12).
Árbitro somali excluído da Copa do Mundo vai apitar final da Supercopa da Uefa
O árbitro somali Omar Artan, de 34 anos, viu o sonho de atuar na Copa do Mundo de 2026 ser frustrado em junho, quando teve a entrada nos Estados Unidos negada. Agora, ele foi convidado pela Uefa para apitar a final da Supercopa entre Paris Saint-Germain e Aston Villa, marcada para esta quarta-feira (12).
A negativa nos Estados Unidos
Antes do início do Mundial, Artan ficou sob os holofotes da mídia após não conseguir entrar no território americano ao chegar ao Aeroporto Internacional de Miami, apesar de integrar o grupo de árbitros selecionados pela Fifa para o torneio.
"Foi um período muito difícil", reconhece o árbitro em entrevista publicada no site da Uefa. "Muitas pessoas demonstram solidariedade porque, quando você trabalha por muitos anos para realizar um projeto e, no final, não consegue realizá-lo, é muito difícil", acrescenta.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos justificou a recusa explicando que o árbitro estava "ligado a indivíduos suspeitos de pertencer a organizações terroristas", o que "tornava o viajante inelegível para entrar" em seu território. Acusações que Artan nega e que geraram indignação na Somália, onde ele foi recebido como herói ao retornar.
"O que aconteceu com ele é lamentável, mas não controlamos tudo", declarou o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
A escalação para a Supercopa
Em resposta, a Uefa anunciou que Omar Artan será o árbitro da decisão da Supercopa, que coloca frente a frente o vencedor da Liga dos Campeões, o PSG, e o vencedor da Liga Europa, o Aston Villa.
"Tive sorte, mas trabalhei muito para chegar aqui e estou realmente orgulhoso", disse o árbitro à Uefa. Primeiro somali a atuar na Copa Africana de Nações, em 2024, Artan apitará seu primeiro jogo na Europa.
"Viver aventuras, criar memórias e aprender coisas novas é sempre maravilhoso", diz o árbitro, que deixa um conselho: "Nunca deixem de sonhar".
O gesto político da Uefa
Para justificar a decisão de convidar Artan, a Uefa destacou o protocolo que assinou no final de abril com a Confederação Africana de Futebol (CAF) para promover a cooperação entre as duas confederações. Acima de tudo, porém, trata-se de um gesto político, que ganha ainda mais relevância diante do conflito da entidade europeia com Infantino nas últimas duas semanas, em razão do plano (já descartado) de abrir a Fifa a investidores privados.
Um fracasso em grande parte devido à rebelião liderada pela Uefa, que anunciou um boicote aos torneios da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, na tentativa de forçar a saída de Infantino.
Perguntas Frequentes
Por que Omar Artan foi excluído da Copa do Mundo?
Ele teve a entrada nos Estados Unidos negada em junho, ao chegar ao Aeroporto Internacional de Miami, apesar de estar no grupo de árbitros da Fifa. O Departamento de Estado americano citou supostos vínculos com indivíduos suspeitos de pertencer a organizações terroristas.
Quem é Omar Artan?
Árbitro somali de 34 anos, primeiro de seu país a atuar na Copa Africana de Nações, em 2024. Ele apitará agora seu primeiro jogo na Europa.
Qual o contexto político da escalação?
A Uefa assinou um protocolo com a CAF em abril e vive um conflito com a Fifa e Infantino, após o plano de abrir a entidade a investidores privados ter sido descartado, com ameaça de boicote aos torneios da Fifa.
Quando será a final da Supercopa?
Nesta quarta-feira (12), entre Paris Saint-Germain e Aston Villa.