Michael Johnson se defende: pagamento foi reembolso
Michael Johnson, dono de quatro ouros olímpicos, enfrenta acusação de desviar US$ 500 mil da liga que criou. Em entrevista, ele afirma que o valor era reembolso de gastos pessoais com viagens de atletas.
Michael Johnson se defende ao comentar polêmica sobre pagamento: "Foi reembolso"
O tetracampeão olímpico Michael Johnson, de 58 anos, enfrenta uma acusação que pode manchar uma carreira construída em três Jogos Olímpicos. Ele é acusado de desviar US$ 500 mil (cerca de R$ 2,5 milhões) da Grand Slam Track, liga de atletismo que criou em 2024. Em entrevista ao jornal "Daily Telegraph", publicada neste sábado (08), Johnson se defendeu: o valor seria um reembolso.
O que diz a defesa de Michael Johnson?
Johnson, que também é fundador da Grand Slam Track, explicou que o pagamento a si próprio ocorreu dias antes de o evento ruir. Segundo ele, o cartão de crédito da liga atingiu o limite em um momento crítico.
"O nosso cartão de crédito atingiu o limite no Grand Slam Track, pois enfrentávamos problemas expressivos de fluxo de caixa. Eram 96 atletas, mais os acompanhantes, que precisávamos levar em um voo de Miami para a Philadelphia. Precisávamos acomodar 170 pessoas em hotéis nas duas cidades, e o cartão de crédito não tinha mais saldo disponível. Instruí nossa equipe de viagens a usar o meu cartão, e eu seria reembolsado posteriormente. Portanto, o que recebi foi o reembolso."
Johnson acrescentou que emprestou US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões) à empresa e abriu mão do próprio salário. "Emprestei dois milhões de dólares à empresa para garantir que cuidássemos dos atletas. Abri mão do meu próprio salário."
O peso da gestão: noites sem dormir
Acostumado à pressão das pistas, Johnson admite que nada foi mais estressante do que administrar a Grand Slam Track. Ele compara a cobrança de uma final olímpica com a rotina de gestor.
"Foi 10 de 10. Nas provas olímpicas de velocidade você precisa apresentar seu melhor desempenho em segundo, é uma chance a cada quatro anos. Mas esse foi o maior nível de estresse que enfrentei em muito tempo. Houve noites sem dormir, em que eu pensava: 'A responsabilidade é minha. Saiu na manchete. Será que os atletas acreditam nisso'? Essas coisas pesavam sobre mim e sobre a minha família."
Os números do colapso financeiro
A Grand Slam Track começou com capital de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 180 milhões). No pedido de recuperação judicial, apresentado a um tribunal de falências em Delaware (EUA), a organização informou ter menos de US$ 50 mil (cerca de R$ 300 mil) em caixa. O documento lista de 200 a 999 credores e dívidas entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões (de R$ 60 milhões a R$ 300 milhões).
Como isso afeta atletas e credores?
A diferença entre o capital inicial e o caixa atual é um abismo. Para atletas que dependiam de premiações e cachês, a recuperação judicial significa incerteza sobre pagamentos. Credores, que somam entre 200 e 999, podem levar anos para ver qualquer valor. Johnson, que se apresenta como credor também, afirma ter emprestado dinheiro à própria empresa. A investigação, conduzida no tribunal de Delaware, vai decidir se o pagamento de US$ 500 mil foi legítimo reembolso ou desvio.
O que diz a justiça desportiva?
Aqui, nós, do direito desportivo, precisamos separar duas esferas. A primeira é a criminal ou falimentar, que analisa se houve fraude. A segunda é a integridade da competição. A Grand Slam Track, como liga, prometia revolucionar o atletismo. Se um fundador usa recursos da própria liga para se pagar, mesmo que como reembolso, a confiança dos atletas no sistema fica abalada. A competição só existe se a regra valer para todos. Integridade não é detalhe, é o jogo.
O precedente para o atletismo
O caso Johnson serve de alerta. Atletas que assinaram com a liga esperavam estabilidade. Agora, enfrentam a incerteza de uma recuperação judicial. Para jovens talentos, a lição é clara: contratos são tão importantes quanto treinos. Para dirigentes, o caso mostra que fluxo de caixa e transparência são tão cruciais quanto resultados esportivos.
Perguntas Frequentes
Michael Johnson foi condenado por desvio?
Não. Ele é acusado, mas se defende afirmando que o pagamento de US$ 500 mil foi reembolso de gastos pessoais com viagens de atletas. O caso tramita em tribunal de falências em Delaware.
Quanto Michael Johnson emprestou à Grand Slam Track?
Segundo ele, US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões). Ele também afirma ter aberto mão do próprio salário.
Qual a dívida total da Grand Slam Track?
A organização informou dívidas entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões (de R$ 60 milhões a R$ 300 milhões) e menos de US$ 50 mil em caixa.
O que acontece com os atletas da liga?
Eles aguardam a definição da recuperação judicial. O tribunal em Delaware vai decidir sobre a destinação dos ativos e a legitimidade dos pagamentos feitos a Johnson.
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