Conselho do São Paulo altera comissão que analisa contrato com Ticketmaster
O Conselho Deliberativo do São Paulo alterou a comissão especial que analisa o contrato com a Ticketmaster, com duas substituições confirmadas. Entenda o impacto para o clube e torcedores.
O Conselho Deliberativo do São Paulo promoveu mudanças na comissão especial criada para analisar o contrato entre o clube e a Ticketmaster, empresa escolhida pela diretoria para assumir a gestão de ingressos do Morumbis a partir de 2027. A alteração foi confirmada em nota divulgada nesta sexta-feira pelo presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior.
Segundo o documento, Jonathan Celso Rodrigues Ferreira substituiu Daurio Speranzini Junior, enquanto Rosalvo Beiro assumiu a vaga de Marcel de Siqueira Bonilha. A comissão segue contando também com Flavio Angerami Marques Junior e Daniel Dinis Fonseca. De acordo com o Conselho, as mudanças não alteram a finalidade do grupo nem o regime de urgência dos trabalhos. A missão da comissão continua sendo analisar a documentação, avaliar os questionamentos apresentados e fornecer subsídios para que o Conselho Deliberativo vote o contrato.
O acordo com a Ticketmaster já foi aprovado pelo Conselho de Administração, mas ainda depende de aval do Conselho Deliberativo para entrar em vigor. O contrato prevê uma antecipação de R$ 140 milhões aos cofres do clube, valor considerado importante pela diretoria para equacionar compromissos financeiros de curto prazo. A criação da comissão ocorreu após questionamentos apresentados pela empresa NewC, concorrente derrotada no processo de seleção. Segundo o Conselho, uma análise prévia tornou-se necessária antes da votação para evitar riscos jurídicos, financeiros e institucionais ao São Paulo.
Em nota, o Conselho afirmou que a comissão "não criou a crise financeira do São Paulo" e reiterou que seu papel é fiscalizar e analisar o contrato antes da deliberação final dos conselheiros.
A proposta da Ticketmaster, escolhida pelo São Paulo, abrange a possibilidade de uma antecipação de R$ 110 milhões para o clube utilizar como bem entender. A liberação do valor seria feita 45 dias após a assinatura do contrato. O acordo funcionará como uma espécie de empréstimo, uma vez que o montante adiantado será devolvido pelo Tricolor à empresa em cinco anos, com taxa de juros seguindo o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) mais 1,99%.
Além disso, a nova empresa pagará cerca de R$ 30 milhões pelo uso de um camarote no Morumbis, e investirá R$ 6 milhões para reformar o museu do São Paulo no local. O novo contrato também adiciona um "limite" da verba a ser devolvido pelo São Paulo: apenas R$ 1,8 milhão por mês será retornado à empresa, independente do valor total da renda somada ao fim do mês. Contudo, esse repasse também será feito em meses sem grandes rendas com bilheteria no estádio, como aconteceu durante a pausa da Copa do Mundo este ano.
A negociação envolveu, ainda, a gestão do programa de sócio-torcedor do São Paulo, que atualmente é administrado pela Feng. Com isso, a diretoria tende a reduzir custos, além de entender que pode oferecer um serviço melhor aos torcedores. O acordo prevê a antecipação de R$ 140 milhões ao São Paulo ainda este ano. Se aprovado, o montante será destinado a quitar dívidas de curto prazo, uma vez que o clube entende a urgência da situação.
Neste momento, o São Paulo tem direitos de imagem atrasados com o elenco. As pendências variam entre os atletas, com casos que chegam a mais de dois meses de atraso. No início de julho deste ano, a diretoria tricolor, nas figuras do presidente Harry Massis, do diretor de futebol Rafinha e do diretor financeiro Sérgio Pimenta, se reuniu com o elenco e garantiu um esforço para quitar os atrasados em até um mês. Contudo, a promessa não foi cumprida. Recentemente, as organizadas do clube também cobraram os pagamentos atrasados dos jogadores.